Gestante na Direção Veicular. Será que tem consequências?

O antigo Código Brasileiro de Trânsito só recomendava a direção veicular para gestantes até o quinto mês de gravidez. Hoje, nenhuma restrição é feita ficando a mesma a critério do médico, ginecologista ou obstetra que acompanha a paciente. As opiniões são bastante variadas por parte dos profissionais de saúde. Alguns recomendam a direção veicular até o quinto mês, outros até o final da gravidez desde que não haja sinal ou sintoma incompatível. Uns falam sobre os riscos do cinto de segurança, outros do air bag, outros ainda lembram a possibilidade de desatenção, dos movimentos fetais, dos sinais e sintomas dos três trimestres da gravidez.
A preocupação é mais direcionada para a mulher, o que achamos necessário, mas não achamos que devemos ficar só por aí. Vejo uma gama de outras coisas que certamente me levam a pensar de maneira contrária aos colegas das áreas de ginecologia e obstetrícia. Vai aqui à visão do profissional de saúde que utilizando a medicina de tráfego ocupacional coloca a gestante sob os riscos que envolvem a direção veicular.


Vejo a necessidade de relacionar para a mulher, nessa atividade, quer seja motorista amadora ou profissional com os riscos existentes no transporte que repercutem por demais no bem estar da mulher e do feto. Levanto situações de alto risco capaz de me conduzir à restrição da direção veicular durante a gestação. Isso diante de uma boa evolução gestacional, isto é, a mulher sem demonstrar sinais e sintomas e com uma evolução favorável. E por que coloco obstáculos?
Porque passo a ver não só a mulher, mas a máquina e o meio ambiente. Tudo que vejo é desfavorável a indicação da mulher grávida na direção veicular. A gestação evolui com aumento progressivo do volume uterino, com bolsa contendo o líquido amniótico a proteger o feto e uma parede uterina bastante resistente capaz de uma grande distensão. São mecanismos fisiológicos de proteção ao feto. Ações do veículo são capazes de comprometer essa segurança fisiológica principalmente na mulher que dirige por muito tempo, que desenvolve atividade profissional na direção de um veículo.
Tudo piora quando se aumenta o peso do veículo, isto é, quando se usa vans, coletivos, caminhões, carretas e outros. Fatores do trânsito são capazes de repercutir intensamente sobre o útero grávido e sobre a mulher propriamente dita.
O ruído sabemos que no trânsito supera o que é recomendado. Esse ruído varia de 78 a 93 dB e o que se recomenda legalmente é que seja no máximo de 85 dB. Como repercute esse ruído na mulher grávida?
A sensibilidade do organismo da mulher no período da gravidez fica extremamente aguçada. O ruído elevado do transporte pode produzir na mulher zumbidos e perda auditiva.
Diante das alterações físicas, psicológicas, de toda sintomatologia que envolve esse estado e a presença dos riscos a que esse trabalho submete à operadora, não vejo como mantê-la exposta, correndo o risco de comprometimento do organismo materno fetal.


*Dr. Dirceu Rodrigues Alves Júnior é Diretor de Comunicação e do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da ABRAMET – Associação Brasileira de Medicina de Tráfego

 

Esta entrada foi publicada em Dicas com as etiquetas , , , , , . ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s